segunda-feira, 20 de outubro de 2008

CABINDA

22 OUTUBRO 2008 FNAC NORTESHOPPING CABINDA POR FRANCISCO LUEMBA 21:30 H

domingo, 20 de janeiro de 2008

CARTA A D. PAULINO FERNANDES MADECA (BISPO DE CABINDA)

Por estes dias, cheios de tristeza, vozes várias, de indiferentes e adversários mesmo!, louvar-te-ão até onde mereces. É verdade, mesmo que tais louvores nos cheguem do sítio errado, falarão de ti como mereces. E é por isso que não repetirei esses elogios, não falarei tanto de ti, antes de mim, sem egoísmo, todavia.

Tratar por tu (sei que pode parecer estranho, mas é o modo de expressar o meu mais profundo respeito por ti) aquele a quem, em vida, tratei sempre por Vossa Excelência Reverendíssima e a quem livremente a mão beijei, tem para mim um significado de uma total adesão, de uma total identificação e de uma doação de mim todo, uma homenagem, no sentido original do termo, que sublinha a minha admiração sem margens por ti. E diz de uma saudade, esta sem solução, enquanto viver. E se de atrevimento vivesse, queria dizer-te quanto me sinto teu discípulo. E quanto o teu Exemplo me move.

Sempre alimentei uma esperança: voltar a ver-te, falar-te em pleno Território mártir, por quem afinal te entregaste num serviço sem fim e sem condições. Não poder ver esta esperança transformada em realidade causa-me um desconsolo, uma tão grande incomodidade e é um profundo golpe nos meus sonhos. Ao saber da trágica notícia da tua partida em mim suscitou a vontade de te acompanhar.

Certo é que doravante terás o descanso que em vida nunca alcançaste. Ou, no contexto, nem o desejavas. Porque muito havia (e há!) a fazer.

Choro-te afinal. Não te vi mais depois daquele jantar, que data já não tem (1994), na Messe dos Oficiais na cidade do Porto, na companhia do General de tão boa memória, ele tão identificado com o nosso sofrimento. Do que falámos então!

Resta-me o teu olhar profundo, o teu sorriso sereno, as tuas mãos doces mas com a pele temperada pela vida difícil (as mesmas mãos que te afagavam Tomaz e que em ti pegavam para um colo suave, gesto a interpretar como um sinal de bondade e de acolhimento e de Amor) restam-me as tuas atenções comigo, imerecidas, a chamar-me para a frente (que invariavelmente recusava! Mas que agradecia e sentia a tua compreensão e o teu necessário perdão). Ó memória! conserva-me estes momentos que jamais quero perder!

No teu país que definitivamente adoptei como meu verdadeiro, em decisão irrevogável, corre-nos hoje um sangue de martírio demasiado fino porque se mistura com as nossas lágrimas que, em vão, procuram superar a tua ausência. E ninguém te poderá substituir. Porque ninguém como tu.

Mas resta-me igualmente e ainda uma missão: se discípulo, com rigor sem a mesma qualidade espiritual e humana (sim), prosseguir o trabalho por ti participado, tantas vezes iniciado e incentivado. Havemos de ser Livres!

Morreres, enfim, no hospital militar de luanda. Pesa-me (-nos). Causa-me (-nos) dor. E causa-me (-nos) um desespero. Marca-me (-nos). Pela imensa carga simbólica. Brutal. Todos morremos. Todos os dias. Junto ao teu leito final. Todos morremos. Até a uma nova Aurora, martirizados pelo "poder" de luanda. Mas, prometo: um dia não! Um dia não morreremos! Um dia devolver-te-emos a tua Pátria e o teu Povo!

Manuel Falcão
Conselheiro do Presidente da FLEC